terça-feira, 24 de abril de 2007

Uma sexta pra sábado


Um convite de um amigo foi o suficiente
Estávamos indo para a área rural da cidade
Fomos bem recebidos com louça pintada em amarelo gelo
Um desconhecido comemorou a presença de mais fêmeas
Elas reagiram protestando a recepção
Eu me anunciei reclamando citação
O lugar éra lindo e sugeria boa conversa
Tragamos cereja e bebemos maracujá
Neste momento o obturador começou a piscar
Ele normalmente flagrava a luz acompanhada
O anfitrião ficou curioso com o resultado
Registramos a presença de todos
Esgotamos as últimas taças
E acabamos sem a nossa própria luz
Despertamos no claro e fomos embora

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Um começo de feriado


Horas grátis pra passar
Precisando das cédulas de cor
E o dispensador azul de folga
O retorno ao lar não convém agora
Seríamos mal recebidos pelos próprios
E desgastaria a imagem de nossa atitude
Mas ainda temos o relógio do tempo
E o controle dos ponteiros em um tanto de horas
Precisamos apenas aguardar um pouco de sorte
Parece que ela veio com a posse da moeda
Nosso destino agora é traçado em amarelo
Rumo a porta de saída da cidade
No entanto com o requisito financeiro preenchido
O cansaço e a incerteza assumem a pauta
E a volta ao início torna-se o melhor programa para o momento

O março mais quente da minha vida


Que sol quente
A janela está furada
A cama semi arrumada
Que nuvem santa
O calor dá um tempo
O lençol se troca de cor
Que sol insistente
Os célcios reanimam-se
O desenho se refaz no pano
Até quando vou testemunhar isto?
Sempre o mesmo dissabor
Após estas longas horas em repouso

Ainda há tempo?


Por onde mesmo?
Que caminhei até aqui
Com aquele homem que está por aí
À sugestão atual da vóz
Onde os guerreiros não estão

Como é mesmo?
Aqueles traços que me encantavam
Daquela mulher que não está mais aqui
Sempre decidida
Como eu não estou

Qual é mesmo?
A hora de sentir
Daquele cara que éra feliz
Ao lado de quem suportou
O qual se diz forte

Por quê mesmo?
Que não estou tão feliz
Nesta confusa encarnação
Rodeado de pessoas que me querem bem
Por quê? Ainda há tempo!

terça-feira, 3 de abril de 2007

Mi minha vida



Traços que me encantam
Braços que me confortam
Corpo que me faz viajar
Coração que me faz sonhar
Minha menina
Minha pretinha
Minha neguinha
Minha vida de volta
Amo você!

Vizinha Paz























Ainda distante, na subida do cotidiano
Noto o assunto
Pouca voz em meio a interesses vários
Sem desejo
Me aproximo do fato
Ouço a concha verde pedir flores
Voz de perda, silêncio de lembrança
Traços tristes e retinas desorientadas
Ultrapasso o encontro
Lamento a paz

Afasto


Decreto perpétua
Sem chance a fiança ou júri
Não percebo o mal!?
Afasto
Ela faz de tudo pra reconstruir meu semblante
Conjuga verbos suportes
Não percebo a injustiça!?
Afasto
Silencio e indignação
Protesto e omissão
Ombros questionadores, palmas à vista, expressão amiga
E a contínua e irritante ausência de palavras
Silêncio e as primeiras delas
Poucas e tímidas, raras e sucintas, fracas mas intensas
O avanço percebido
As frases dão as caras
O tão esperado primeiro diálogo
Agora quem falou escuta e quem ouviu desabafa
Pra quê dificultar o melhor!?
Afasto

quarta-feira, 28 de março de 2007

Assim

Se toda hora fosse assim

Não teria relógio em qualquer das paredes

Se todo passeio caminhasse assim

Não haveria um só solitário

Sempre que estamos unidos

Não há face sem desenho alegre

E peço para que sempre seja assim

Como se o hoje e o amanhã não se distinguissem

E o ontem sempre existisse

Em qualquer dos dias

Simplesmente assim